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Imagine uma pickup Chevy 500. Coloque nela um motor Chevrolet 2.500cc e quatro
cilindros. Melhorou? Então passe agora a cilindrada do motor para 3.000cc.
Está bom? Que tal montar então um turbo compressor? A receita é ótima e
foi feita por Paulo Pinto, do Rio de Janeiro.
“Antes de mais nada, automóvel para mim é um hobby, e eu sempre quis fazer
um carro diferente, por isso meu primeiro passo foi comprar uma Chevy
500 com a carroceria boa e a mecânica ruim. E assim começou a história
de meu carro”. Toda a transformação mecânica começou com a compra de um
motor Chevrolet
de quatro cilindros, 2.500cc, que teve sua cilindra da aumentada para 3.000cc
por meio da troca do virabrequim original por outro de maior curso,
feito pela M. Performance, de São Paulo, SP.
E não foi só isso. A taxa de compressão passou para 9:1, e enquanto os cilindros
ficaram na medida original, os pistões foram aliviados em peso, rebaixados
e balanceados. Os anéis, tuchos hidráulicos e bronzinas permaneceram
originais, mas as bielas usadas foram as do Chevrolet seis cilindros, de 4.lOOcc.

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O cabeçote teve os volumes das quatro câmaras equalizados, seus dutos foram
polidos e as válvulas tiveram os ângulos das sedes retrabalhados.
COM TURBO - De
imediato veio a idéia de se utilizar também turbocompressor (turbina Garrett
T3). Por isso, os coletores de admissão e escapamento foram feitos especialmente
para o motor, já que não existe kit turbo para Opala quatro cilindros no
mercado. Foram feitas quatro peças sob medida, uma ligando o carburador
ao tubo, outra do turbo ao coletor de escapa mento, o próprio coletor de
admissão e uma última unindo o turbo ao escapamento. O carburador é o Solex
original do quatro cilindros, álcool (o combustível usado), apenas
com nova calibragem.
O filtro de ar utilizado é de Ford , adaptado por meio de uma carcaça
e suporte ao compartimento do motor, enquanto a bomba de óleo é original
e a bomba de combustível mecânica, mas em vias de ser substituída por uma
elétrica. Foi feita ainda uma alteração na curva de avanço do distribuidor,
e bobina mais cabos de vela são importados, marca Accel.
Com o motor pronto, adaptá-lo ao carro foi relativamente fácil, sendo o
único trabalho mais extenso a troca do eixo-piloto do câmbio Chevette de
cinco marchas pelo eixo-piloto do câmbio Opala, para permitir o
“casamento” entre o motor e câmbio Chevette.
Assim, o câmbio permaneceu praticamente original, mas o diferencial foi
alongado, passando para uma relação de 3,08, com o pinhão sendo feito especialmente
para a Chevy. Como a previsão era de que a Chevy iria andar muito, sua suspensão
foi rebaixada e os amortecedores recalibrados.

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E para evitar (ou
diminuir) problemas, os freios também foram revistos. O
cilindro-mestre continuou o mesmo da Chevy, mas os discos
dianteiros foram substituídos pelos do Opala, enquanto na traseira os tambores
deram lugar para discos de Opala, mas com pinças. Todos os discos
foram perfurados para melhor refrigeração e, com isso, diminuírem a tendência
ao fading.

O radiador também foi substituído, para atender às novas exigências e solicitações
do motor. Foi feito um modelo de maior capacidade, com duas ventoinhas elétricas
importadas, de acionamento automático. “Eu fiz o sistema de arrefecimento
super dimensionado para evitar problemas, ainda mais no Rio de Janeiro, que
faz calor o ano todo. Usei uma colméia grande com maior número de dutos,
sendo que o radiador agora ocupa toda a frente do carro. Com apenas uma
ventoinha ele não dava conta e a temperatura estava sempre no limite”.
Por fim, rodas e pneus. Paulo utilizou rodas com furação de Opala, feitas
em liga-leve, nas medidas 6x 15 na dianteira e 7x 15 na traseira; os pneus
são Falken importados 195/50-15 na frente e Firestone 205/60-15 atrás.
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POR DENTRO - Com toda a parte
mecânica pronta, passou a cuidar do interior da Chevy. O volante e a
coluna de direção foram substituídos com ajuste
de altura. Os bancos são esportivos, Recaro, com revestimento de mesmo
tecido usado nos forros de porta. A Chevy ganhou instrumentos digitais importados
e condicionador de ar. “O sistema de ar condicionado foi desenvolvido especialmente
para a Chevy, pois foi instalado todo embutido e com as saídas de ar originais
do painel. Tivemos que cortar a ‘parede de fogo’ e metade dentro, metade
fora da cabine. Foi feita uma caixa de fibra de vidro para proteger o aparelho,
ficando a instalação com aparência de original”.
Na parte externa, também muitas mudanças. Na dianteira, a Chevy ganhou nova
grade, spoiler, faróis auxiliares e emblema GMC; nas laterais,
frisos largos (com a inscrição Hurricane) mini-saias, e na
traseira, pára-choques envolventes, discretos logotipos 3.0 e GMC. Capota náutica na caçamba, carcaças
dos espelhos pintados na cor do carro e vidros verdes completam a Chevy
500 “Hurricane”.
E o quanto ela anda? “Não sei, pois é difícil medir sua velocidade
máxima, acima dos 200 km/h reais.
A diferença de desempenho não dá nem para explicar”. |
E as acelerações? “Em qualquer marcha, mesmo
em quinta, se você enfiar o pé no acelerador, o corpo cola no banco e a
resposta do motor é imediata, devido ao incrível torque disponível. O turbo
entra em ação com apenas 1.200 rpm, daí esta ótima performance”.
Assim, com muito cuidado e desenvolvendo a parte mecânica e respectivo
veneno com muito capricho, Paulo conseguiu ter seu “carro diferente”. Afinal,
o veículo que deveria servir basicamente para o transporte de pequenas
cargas, hoje é quase um esportivo, que passa fácil dos 200 km/h e encontra
poucos adversários por onde anda.
Revista Oficina MECÂNICA
ANO 10 – NÚMERO 98
Reportagem: Carlos Eugenio Henriques
Texto: Ricardo Caruso |